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Trânsito - Apuração de acidentes exige detalhes


25/01/10

Chamar socorro a vítimas e guardar informações de condutores e das circunstâncias da ocorrência ajudam a polícia.
 
Acidentes de trânsito são uma das principais causas de mortes no Brasil. As pessoas acostumaram a se deparar com batidas, atropelamentos e choques quase diariamente. Um levantamento da Polícia Militar (PM) mostra que, somente até novembro do ano passado, mais de 6,9 mil acidentes tinham acontecido em Bauru – uma média de 20 por dia. Mas ao invés de apenas fazer parte da multidão de curiosos que se junta em cada fatalidade, a PM recomenda que quem presencia um acidente deve providenciar socorro à vítima, sinalizar o local e guardar informações que possam identificar culpados, em caso de algum condutor fugir.

Os detalhes podem ser fundamentais na elucidação da ocorrência. Poucos dias antes do Natal, uma família do Jardim Araruna sofreu uma grande perda. Francisco Carlos Sturion, 52 anos, morreu em um acidente na rodovia Marechal Rondon. Até hoje, a polícia não esclareceu o caso, registrado como homicídio culposo. O condutor que atingiu o veículo de Sturion fugiu logo após o acidente. A família acredita que ele poderia ter sobrevivido caso fosse socorrido logo após a batida.

De acordo com o publicado na edição do dia 21 de dezembro do Jornal da Cidade, Sturion morreu a poucas quadras de sua casa. Era por volta das 4h do dia 20 do mês passado, quando ele saiu de sua residência para buscar o filho de 20 anos, que estava em uma festa. Ele saiu do Jardim Araruna, pegou a alça de acesso para a rodovia Marechal Rondon e quando seguia pela pista no sentido Bauru, teve a traseira de seu Celta atingida por um outro veículo.

Ele perdeu o controle da direção e capotou. O motorista que teria causado o acidente fugiu sem prestar socorro ou chamar auxílio. De acordo com Paulo Roberto Siqueira, cunhado de Stution, a vítima ainda conseguiu soltar o cinto de segurança e sair do veículo, mas caiu poucos metros adiante. Ele foi socorrido, mas morreu ao dar entrada no Pronto-Socorro Central (PSC).

“Ele deve ter ficado lá por cerca de uma hora e morreu de hemorragia. Se o motorista tivesse prestado socorro, ele poderia estar vivo”, conta. A morte de Stution chocou a família. Segundo Siqueira, seu sobrinho mais velho não aceita a morte do pai e se sente responsável, já que Stution iria buscá-lo. Já o filho mais novo da vítima não fala sobre a fatalidade. “E tudo isso, porque a pessoa fugiu”, diz. Agora, ele pede que quem viu ou tenha pistas sobre o acidente, procure a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), onde o acidente é investigado.

Entre as informações já obtidas pela perícia realizada no local do acidente e também no Celta da vítima, é que a batida deixou parte da placa do carro que fugiu impressa na traseira do veículo da vítima. Segundo o registrado, trata-se de um carro de cor prata, aparentemente da montadora GM, com placas que trazem as letras DVO.

Ele também faz um apelo. “As pessoas precisam ter mais solidariedade e colaborar em situações como essa. Chamar um resgate, acionar a polícia, anotar algum detalhe. Isso pode salvar vidas”, diz.

Orientação

O capitão Renato Ramos, comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar de Bauru, explica que ao se deparar com um acidente, as pessoas devem primeiramente prestar socorro ás vítimas. “E isso não significa colocar no carro e ir para um hospital. Mas sim chamar a Unidade de Resgate, como o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Bombeiros”, diz.

O segundo passo é, na medida do possível, sinalizar o local. “Para que não ocorra outro acidente no mesmo lugar”, observa o comandante. E se tiver testemunhado o acidente, informar aos policiais que atenderem a ocorrência todos os detalhes que lembrar, caso um dos veículos que se envolveram no fato fugir. “É bom dizer o que lembrar. Se não se recordar a placa, tentar dizer o modelo do carro, algum detalhe que possa auxiliar as investigações”, diz.
 
 


Fonte: JcNet - (Baurú)


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